segunda-feira, 30 de março de 2009

O Tempo


Há tanto que queria dizer-te, mas o tempo parece fugir-nos como a areia das nossas praias por entre os dedos...
Queria que o meu corpo dissesse o quanto te quero, que os meus beijos contassem o prazer que o cheiro da tua pele me dá, que as minhas mãos falassem do efeito que tem em mim o som da tua voz...
Não imaginas o tesão que me fizeste ao agarrares os meus pulsos, os meus braços... "Estás presa" disseste tu, e nunca uma prisão foi tão desejada!
É tão bom estar com alguém que não precisa de instruções, que sabe ler a linguagem do corpo, que adivinha os meus desejos antes até de eu pensar neles...

É tão bom trocar mensagens contigo... Antes e depois de sentir o sabor do teu suor.
É tão bom ter-te, mesmo sabendo que és meu só por um instante, que sou tua apenas pelo tempo que dura um bater de asas fugaz...

Ou talvez seja por isso mesmo...

Saber que te tenho apenas por uma hora ou pouco mais, que temos que aproveitar cada minuto... torna tudo muito mais intenso.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Amantes...

Já não se viam há uma eternidade, apesar de ter sido apenas na semana anterior… A fome que sentiam um do outro era desmesurada. Ela entrou no prédio de apartamentos, escondida por trás da sua longa cabeleira e de uns óculos escuros que lhe tapavam metade da cara. Ele já a esperava, com a porta só encostada e os braços abertos.

O sorriso resplandecente e o brilho nos olhos, o beijo de quem não pode esperar mais, quente, sôfrego, longo… Meia dúzia de palavras trocadas porque as palavras jamais conseguiriam explicar aquilo que eles dizem sem falar.

Não demoraram muito a perder a roupa no caminho para o quarto, apesar de ser difícil despi-la sem se largarem… Todos os segundos contam agora que conseguiram uns momentos a dois, e um segundo sem tocar a pele um do outro era demais! Quando chegaram ao quarto já iam quase nus. Ele não perde tempo a admirar a lingerie que ela comprou só para ele, ela já nem se lembra que a comprou, só sabe que atrapalha!

Por entre os beijos sôfregos e as mãos frenéticas ela sente o frio áspero da parede nas costas. Sabe bem o contraste... O calor suave do corpo dele... O corpo dela arqueia-se, oferece-se à boca que já lhe aprisionou um mamilo enquanto as suas mãos acariciam os ombros e nuca do amante. Evapora-se o resto da roupa na loucura do desejo e ela enlaça uma perna na cintura dele para o puxar mais para si... Consegue senti-lo... Está tão perto...

- Hummmmm...

- Queres, não queres?

- Sim...

- Queres que to meta todo?...

- Hummm... Sim!

Ele não vai, nem vem... fica só ali a provocá-la mais ainda. Entre beijos, chupadelas, mãos e abraços, ele não lhe dá o que ela tanto quer, mas também não lhe dá tempo para protestar. Ele é assim, e ela gosta disso nele. Sabe exactamente o limite entre a boa provocação e a frustração.


Esta foi a primeira vez que ele trouxe o óleo... Que senti o toque das suas mãos de outra forma... Aquela massagem que não esqueceu nenhum milimetro de pele e que me deixaria o resto do dia naquela cama, se...

Inimaginável...

Inesquecível!...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quando...

Quando queremos escrever e não sabemos o quê...
Quando os segredos que trazemos na mala nos estrangulam as palavras...
Quando os pensamentos que mais tempo ocupam o salão de baile da nossa mente são intransmissíveis e secretos... e por isso não podem ser passados para palavras. Pensadas. Sentidas. Escritas.
Quando não sabemos como fomos chegar tão longe...
Quando não nos permitimos pensar muito nisso para não descobrirmos que não gostamos da resposta...
Quando tão longe é tão... Bom!
Quando basta o sinal de toque de uma mensagem para fazer o meu coração disparar...
Quando basta o som da sua voz para fazer os meus joelhos tremer e fraquejar... E os pensamentos, essas aves desobedientes e livres, voam para momentos passados a dois, a pele responde à memória da pele e o corpo reaje à lembrança do prazer.
Quanto te quero assim e tenho que esperar até te ter.

terça-feira, 17 de março de 2009

Estou viva!!!

Eu não sabia se queria mesmo isto.
Eu nem sabia o que isto era!
Queria ter tempo para pensar mas ele é forte e decidido e sabia que não me teria muito tempo assim... em cima do muro. A tentar decidir entre o juramento de fidelidade que fizera ao meu marido há tantos anos atrás e o desejo que ele me fazia sentir. Ele fez tudo o que pôde para que eu caísse para seu lado do muro, qual Humpty-Dumpty demasiado sexy para seu próprio bem. Não aceitou o meu não sei, tomou os meus lábios nos seus como se tivesse todo o direito a eles, colou o seu corpo ao meu até eu me sentir colada a cada partícula do seu físico.

Fui assaltada.

Fui violada.

Fui esmigalhada.



Mas não por ele.

Nunca por ele.

Fui assaltada pelo vácuo de pensamentos provocado por esse gesto, pelo eclipse do mundo que isso provocou.
Fui violada pelo prazer que isso me deu, pela escolha que deixei de ter nesse momento.
Fui esmigalhada pelo regresso do resto do planeta quando os lábios dele deixaram os meus, quando a sua língua doce e áspera deixou a minha boca, quando as suas mãos já não me percorriam em gestos de posse absoluta mas antes me deixavam os movimentos livres e, ao abrir os olhos encontrei o verde e escuro lago dos dele perguntando-me...
Sim...
Um momento antes ainda havia a hipótese muito forte e muito real de lhe dizer não, mas agora só conseguiria dizer-lhe sim.
Sim, mostra-me o caminho.
Sim
, sigo-te sempre.
Sim
, quero mais!

O porquê foi algo que me atormentou durante os seis meses seguintes em que nunca deixámos de nos ver até que há dias percebi!...
Eu estava a sofrer uma morte lenta, a deixar-me soterrar pelos dias ininterruptos, permitindo que a letargia me domasse os sentidos, por isso digo-lhe:

Sim, faz-me sentir a vida correr nas veias, o coração bater mais forte e a adrenalina invadir-me o corpo. Sim, faz-me sentir viva outra vez!



quinta-feira, 12 de março de 2009

E no início era a carne...

Eu fui uma menina muito, muito má...

Preciso escrever.
Preciso pensar em voz escrita.
Dar a volta ao texto e nunca esquecer.

É para isso que aqui estou.

É para isso que aqui estão vocês...

Porque eu sou uma menina muito, muito má.