terça-feira, 17 de março de 2009

Estou viva!!!

Eu não sabia se queria mesmo isto.
Eu nem sabia o que isto era!
Queria ter tempo para pensar mas ele é forte e decidido e sabia que não me teria muito tempo assim... em cima do muro. A tentar decidir entre o juramento de fidelidade que fizera ao meu marido há tantos anos atrás e o desejo que ele me fazia sentir. Ele fez tudo o que pôde para que eu caísse para seu lado do muro, qual Humpty-Dumpty demasiado sexy para seu próprio bem. Não aceitou o meu não sei, tomou os meus lábios nos seus como se tivesse todo o direito a eles, colou o seu corpo ao meu até eu me sentir colada a cada partícula do seu físico.

Fui assaltada.

Fui violada.

Fui esmigalhada.



Mas não por ele.

Nunca por ele.

Fui assaltada pelo vácuo de pensamentos provocado por esse gesto, pelo eclipse do mundo que isso provocou.
Fui violada pelo prazer que isso me deu, pela escolha que deixei de ter nesse momento.
Fui esmigalhada pelo regresso do resto do planeta quando os lábios dele deixaram os meus, quando a sua língua doce e áspera deixou a minha boca, quando as suas mãos já não me percorriam em gestos de posse absoluta mas antes me deixavam os movimentos livres e, ao abrir os olhos encontrei o verde e escuro lago dos dele perguntando-me...
Sim...
Um momento antes ainda havia a hipótese muito forte e muito real de lhe dizer não, mas agora só conseguiria dizer-lhe sim.
Sim, mostra-me o caminho.
Sim
, sigo-te sempre.
Sim
, quero mais!

O porquê foi algo que me atormentou durante os seis meses seguintes em que nunca deixámos de nos ver até que há dias percebi!...
Eu estava a sofrer uma morte lenta, a deixar-me soterrar pelos dias ininterruptos, permitindo que a letargia me domasse os sentidos, por isso digo-lhe:

Sim, faz-me sentir a vida correr nas veias, o coração bater mais forte e a adrenalina invadir-me o corpo. Sim, faz-me sentir viva outra vez!



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