segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Às vezes apetece-me escrever...

É verdade.
Às vezes sinto saudades do tempo em que escrevia regularmente e apetece-me voltar a escrever. Escrevia longos textos fantasiosos e muito quentes. Ficava molhada a escrevê-los, a relê-los e a corrigi-los, e depois com todos os comentários que recebia... hummm... O mesmo texto dava-me inúmeros prazeres.
No mesmo dia consegui ter ideias e inspiração para vários textos, depois agarrava só na que mais me agradava porque nunca conseguiria ter tempo para desenvolver todas as ideias.
Tenho saudades disso.
A vida amargurou-me e definhou-me a inspiração. Ainda há poucos dias disse a uma amiga que me sinto crua, perdi aquela doçura que tinha, estou áspera, dura, fria. Uma pedra não passa de uma pedra para mim, agora. Uma pedra podia ser tanta coisa há um par de anos atrás!
Na falta do meu amante, fodi o meu marido este fim-de-semana. Foi uma foda que me deu muito prazer, mas no fim pensei "I fuccked him like a bitch". Não era eu, eu mesma, era esta nova eu, fria, crua... O meu corpo fodeu, o meu corpo veio-se, o meu corpo gritou e estremeceu mas eu não estava lá. Será que é assim que as putas fazem com os clientes de quem não gostam?
Como é que se salva um casamento assim? Quero sentir e não consigo. O que há de errado comigo?
O marido da minha amiga deixou-a. Ela sofre. Ela diz-me que algures durante o caminho o magoou, sem dar por isso, e que ele se revolta agora contra ela. Porque ela sente nele uma revolta, uma raiva que não reconhece na criatura dócil que ele sempre foi.
Como eu o entendo! Jesus Christ! COMO EU O ENTENDO!!!
Dócil. Submissa. Flexível. Sensata. Recatada. Diplomata. Conciliadora. Paciente. Empática. Tolerante.
E onde é que isso me levou?! O que é que eu ganhei com tudo isso?! ONDE É QUE ESTÁ O RESULTADO DE TANTO SACRIFÍCIO DE MIM?!!!??
Desculpem-me. Estou zangada. Não consigo deixar de me sentir zangada! E presa. Entalada. Entre a espada e a parede.
Cobarde!

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